Dormir na cama dos pais: prós e contras

A partilha da cama com os pais na infância é um tema muito controverso. Existe um grande debate sobre o assunto, que oferece, por um lado, os riscos e, por outro, os benefícios.

Em termos evolutivos, pode dizer-se que o ser humano é o primata mais imaturo à nascença e que o seu desenvolvimento ocorre de forma muito lenta. Acredita-se, por isso, que este facto justifica o contacto intenso e prolongado com os pais (por exemplo, dormir na mesma cama) como um mecanismo de defesa face à fragilidade do recém-nascido.

A verdade é que, atualmente, a partilha de cama entre pais e filhos deixou de ser considerada necessária para a sobrevivência do bebé. A partir do século XX, colocar as crianças a dormir separadas dos pais tornou-se uma prática comum na América do Norte, Europa e Ásia ocidentalizada. Esta alteração de comportamento veio a ser reforçada com o aumento das campanhas de sensibilização, no início da década de 90, para a Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL), primeira causa de morte entre o primeiro mês e o primeiro ano de vida das crianças em países desenvolvidos.

Contras

A SMSL é um dos maiores riscos apontados à partilha de cama entre pais e filhos. Além da SMSL, existem outros riscos que podem estar associados a dormir na cama dos pais:

  • asfixia acidental;
  • aumento de problemas do sono;
  • depressão materna;
  • défice de desenvolvimento emocional da criança.

Prós

No entanto, existem também argumentos a favor desta prática:

  • melhor adesão à amamentação (e durante mais tempo);
  • diminuição dos episódios de choro;
  • aumento da estabilidade cardiorrespiratória;
  • melhor regulação da temperatura corporal;
  • maior produção de leite por parte da mãe.

Outros aspetos benéficos, como o maior sucesso educativo e/ou social, foram positivamente associados à partilha de cama com os pais durante o primeiro ano de vida. No entanto, após esse período, parece acontecer o contrário.

A informação disponível é muitas vezes contraditória e inconsistente e, por isso, é normal que os pais tenham dúvidas sobre o que devem ou não fazer. Comece por interpretar os sinais dos seus filhos e perceber quando é que existe uma necessidade real de uma maior proximidade, pois não existe um método único para fazer com que as crianças se sintam mais ou menos seguras, com maior autoestima ou emocionalmente mais fortes.